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Um mergulho na felicidade

Reflexões sobre o livro Feliciência


capa do livro feliciência

Me deparei com o material da brilhante professora Carla Furtado um dia antes de sair de férias. Era um momento de mudança de carreira, quando começava a pensar sobre estar mais envolvido no mundo de felicidade e bem-estar.

Bom… aqueles que conhecem a professora e o livro em questão - “Feliciência - Felicidade e Trabalho na era da Complexidade”, devem estar pensando “Que sorte a minha” por me deparar com esse livro no início do fim de uma jornada. Para aqueles que não conhecem, trago um pouco das minhas reflexões e aprendizados em relação ao tema do livro. Mas convido todos a mergulharem mais fundo no livro, no instituto e nos trabalhos da professora.


O desafio de conceituar felicidade

Esse é um tema de infindáveis debates - filosóficos, científicos, botequísticos, entre outros. Não pretendo, aqui, esgotar o tema, mas mostrar um pouco do que mais mexeu comigo.

Algumas tentativas de conceituação que me fizeram refletir:

  • Felicidade está ligada aos prazeres da vida - fazer o que gostamos, com quem gostamos. A sensação de prazer pode levar a uma emoção de alegria e ao sentimento de felicidade

  • Felicidade está ligada à conexão com algo maior, por exemplo um propósito. E, isso, demanda o desenvolvimento de virtudes. “Vida significativa pede profundidade”.

  • A felicidade depende de afetos positivos, características positivas e instituições positivas.

Mas o conceito que mais mexeu comigo é que a felicidade está ligada ao exercício das suas forças e virtudes. Estar envolvido em atividades ligadas a suas forças e alinhadas a suas virtudes (e/ou valores) tendem a trazer estados de felicidade e bem-estar. Além de possibilitarem o atingimento das nossas maiores e melhores capacidades humanas.

Com isso, fica clara a importância, também quando se fala de felicidade, do auto-conhecimento e da auto-consciência.


A ciência e a felicidade

Bom, se eu não pretendi esgotar a parte filosófica, o que dirá a parte científica. Mas vou arriscar tatear uma pequena parte desse assunto complexo.

De acordo com a neuroplasticidade do nosso cérebro (capacidade de adaptação do sistema nervoso central de acordo com as mudanças do ambiente externo), temos a capacidade de aprender habilidades que nos ajudem na busca da felicidade. Alguns exemplos dessas habilidades são: autogestão, autoconsciência, consciência social, atenção plena, generosidade, resiliência etc.

Mas essa tarefa não é fácil, porque nosso cérebro tem um viés negativo - essencial para a sobrevivência de nossos antepassados em meio à floresta e as inúmeras ameaças naturais. Portanto, precisamos treiná-lo.


O ambiente externo

Falei, rapidamente, acima sobre a importâncias das instituições positivas. Essas instituições são externas ao eu. E, diversos avanços em pesquisas mostram que não é possível analisar a felicidade individual desconsiderando o ambiente.

A relação entre pessoas - sejam nas famílias, grupos de amigos, grupos de trabalho, comunidades regionais etc - são essenciais para um estado de felicidade. O senso de pertencimento e a existência de uma rede de apoio são pilares obrigatórios quando falamos de bem-estar e/ou felicidade.

Além disso, o papel do Estado e das instituições (públicas e privadas) é também muito importante na percepção de felicidade. Viver em uma sociedade democrática e que garanta as liberdade individuais é, inclusive, um dos critérios de avaliação de felicidade das nações¹.


Felicidade Interna Bruta (FIB)

A importância do tema vem ganhando cada vez mais destaque nas discussões dos mais variados contextos, inclusive o político-econômico. E, nesse contexto, criou-se o termo Felicidade Interna Bruta, em paralelo ao conhecido termo Produto Interno Bruto (soma de todos os produtos e serviços produzidos por determinada região).

O FIB mede as condições da população em atingir níveis de felicidade através de alguns pilares:

  • econômico

  • bem-estar psicológico

  • saúde

  • educação e cultura

  • uso do tempo

  • política

  • laços com grupos sociais

  • preservação do meio ambiente

  • outros

Medir esses itens é essencial em um mundo que tornou-se capitalista ao extremo. A busca desmedida por avanço econômico não irá garantir a felicidade. Acredito, sim, que uma melhor condição econômica seja um item importantíssimo na geração de um ambiente que propicie a felicidade. Mas não basta!


Felicidade e o Trabalho

Quando falamos de instituições externas, o trabalho é uma das que, imediatamente, vem à mente. E uma das mais debatidas nas rodas de discussão sobre felicidade.

Muito tem-se dito sobre a felicidade no trabalho e, nesse contexto, a professora Carla faz um desafio muito interessante no livro: devemos passar da discussão da felicidade no trabalho para a felicidade de quem trabalha. A distinção é sutil mas extremamente profunda. A felicidade é da pessoa e não existe uma pessoa no trabalho e outra fora dele.

Atingir níveis de felicidade no trabalho depende, em primeiro lugar, da saúde mental. E o conceito de saúde mental passa por pilares importantes a serem observados no ambiente de trabalho, tais como:

  • Utilização de suas habilidades e pontos fortes

  • Alinhamento de valores, entre indivíduo - empresa - sociedade

  • Reconhecimento e expressão de emoções - ter um ambiente que não incentive o uso de máscara de modo a passarmos uma impressão de estarmos sempre bem e prontos para o trabalho

  • Flexibilidade e habilidade em lidar com aspectos adversos

  • Equilíbrio

  • Reconhecimento


Acredito que a felicidade seja influenciada por diversos fatores, alguns dos quais citados acima, muitos outros citados no livro. A receita do bolo vai depender de cada um e de seu contexto - uma colher a mais de prazer ou de dinheiro vai trazer um sabor melhor para meu dia a dia?

Entender a melhor forma de lidar com as instituições e um avanço no seu nível de autoconsciência, entretanto, são tarefas essenciais para conseguir percorrer de maneira mais leve esse caminho da busca pela felicidade.



¹Para maiores informações, veja o relatório de felicidade ou o artigo que escrevi sobre o assunto.


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